E os sites teimam em não funcionar
Postado por Osvaldo Santana
Recentemente eu comprei um Macbook e passei a ser usuário do Mac OS X. Neste sistema eu tenho acesso a dois browsers extremamente poderosos: o Safari e o Firefox. Ambos em suas últimas versões.
Como uso Linux pro trabalho eu também comprei uma licença do VMWare Fusion (que já valeu cada um dos centavos gastos) onde rodo um Ubuntu Linux e navego com o Firefox.
Isso significa que em meu ambiente tenho à disposição 2 browsers diferentes sendo que um deles roda em 2 sistemas operacionais distintos.
Eu também gastei R$500 com uma licença original do Windows Vista. Em minha opinião esse dinheiro foi perdido porque o sistema é ruim (não porque é o Windows e sim porque é o Vista). Como não uso o Windows pra nada além de eventuais partidas de Counter-Strike (que não podem ser jogadas no VMWare por causa da falta do suporte à aceleração 3D da placa) eu praticamente não inicio ele em minha máquina. Iniciá-lo também é chato e consome muita memória me obrigando quase sempre a ‘desligar’ o Linux.
Em resumo: Iniciar o Windows pra mim é um transtorno.
Nos últimos meses eu tive que interagir via Web com uma grande quantidade de sites governamentais, bancos, empresas de telefonia e até mesmo lojas de e-commerce e me impressionou a quantidade absurdas de sites que ainda teimam em não funcionar com browsers que não sejam o Internet Explorer.
No passado eu entendia essas coisas porque realmente o IE era usado por 99,9% dos clientes na Web mas hoje, apesar de ainda ser uma grande maioria, esse cenário mudou bastante.
Dependendo das estatísticas que se pega na Internet você pode ver que a presença do IE varia entre 74% e 95% e alguns vão se perguntar: o que são 5% dos navegadores? Porque devemos nos preocupar com 5% dos navegadores Firefox/Safari/Opera/…?
Porque numa pesquisa de 2007 o Brasil tinha 15 milhões de pessoas com acesso à Internet e 5% de 15 milhões são 750.000 pessoas!
Me explique uma coisa: que tipo de empresa despresaria 750.000 potenciais clientes somente porque a sua equipe técnica não quer investir um tempo testando o site em um browser “alternativo” e eventualmente corrigir problemas?
Os empresários brasileiros desprezam 750.000 potenciais clientes e depois dizem que seus negócios estão afundando por conta dos impostos altos…
Segue abaixo uma lista de sites que não funcionam com browsers não-IE:
- http://www.vivo.com.br - Simplesmente não é possível “logar” na parte de serviços deles para aquelas tarefinhas ‘triviais’ como ver a fatura do celular e afins.
- http://www.claro.com.br - É impossível acessar qualquer informação referente à sua conta no site deles. Outras partes estão OK.
- http://www.saraiva.com.br - Não é possível alterar o seu endereço de entrega.
- Todos aqueles “Atendimento Online” que tentei usar não funcionaram.
- … se vocês lembrarem de mais algum coloquem nos comentários…
O site do Banco Itaú funciona perfeitamente bem com meu browser, mas a disponibilidade dos serviços deles é patética. Pelo menos duas vezes por semana eu recebo um “Erro do servidor” ou um “Serviço indisponível” na cara.
Mas cabe acrescentar que uma vez fiz uma reclamação pro Itaú sobre uma parte do site que não estava funcionando no Firefox e algumas horas depois me ligaram pedindo detalhes para providenciar o conserto. E consertaram mesmo. Isso foi Nota 10!
Como vocês puderam ver eu tenho o hábito de ligar reclamando desses problemas e sugerindo o conserto dos mesmos, mas tenho certeza de que eles jogam fora esses conselhos porque “só” 5% dos acessos deles vêm de browsers alternativos.
Aos amigos do Terra… eu ia acrescentar o Terra TV aqui mas ele subitamente funcionou no meu Firefox
I Has Arduino!
Postado por Osvaldo Santana
Hoje de manhã chegou uma encomenda pelo correio que eu estava esperando a muito tempo: meu Arduino
Quando eu tinha uns 9/10 anos de idade eu adorava ‘brincar com eletrônica’ com um amigo meu que tinha uma oficina em seu quintal. Todo dia depois da aula a gente jogava Atari na minha casa e depois ia para o “laboratório” dele montar os projetos que saiam nas revistas Experiências e Brincadeiras com Eletrônica Júnior ou na Be-a-Bá da Eletrônica.
Certo dia esse amigo meu me chamou na casa dele porque ele tinha acabado de ganhar um computador. Era um MSX Expert 1.1 da Gradiente completamente sem acessórios. Quando ele ligou o computador e começaram os primeiros acordes do cartucho de demonstração (Ligue-se ao Expert) eu pensei: “É isso o que eu quero pra minha vida”.
O processo de programação na época era +/- assim:
10 CLS 20 ON ERROR GOTO 70 30 PRINT "DESLIGANDO O ATARI DA TV E LIGANDO O EXPERT" 40 PRINT "COPIANDO PROGRAMA DO LIVRO..." 50 PRINT "EXECUTANDO O PROGRAMA (RUN)" 60 PRINT "PARABENS! DELIGUE O COMPUTADOR E PERCA TUDO" 70 END 80 PRINT "CORRIGE OS ERROS" 90 GOTO 50 RUN
Mas não foi pra falar disso que eu criei esse post. Vamos voltar ao assunto.
Enquanto morava em Recife o Elvis Pfützenreuter me deu alguns componentes eletrônicos que ele tinha comprado para usar em uma maquete de ferromodelismo que ele tinha desistido de continuar. Isso me fez lembrar de como era bom o cheiro de solda e decidi retomar a eletrônica como Hobby.
Assim como na computação as coisas evoluiram nos últimos anos com a eletrônica também. Então “aquela” eletrônica que eu conhecia onde a gente usava só uns transistores, uns resistores, uns capacitores, etc… se transformou em algo muito parecido com… informática!
“Brincar” com eletrônica nos dias de hoje quase sempre te levará a usar um microcontrolador, ou seja, você terá um chip programável com software para trabalhar.
E é aí que o Arduino entra na história.
O Arduino é um hardware com especificação livre e possui várias implementações diferentes mas todas elas possuem um microcontrolador Atmel instalado. Como o projeto é aberto existem diversas extensões e projetos que usam ele tal no universo do software livre.
A idéia do hardware livre é tão semelhante à do software livre que existem comunidades formadas em torno destes projetos. As idéias se intercalam também. Para ver isso basta olhar para a IDE utilizada para programar o Arduino. Usa o GCC como compilador e a IDE tem uma implementação livre feita em Java.
Se você, como eu, tem interesse nesse universo e quiser adquirir uma placa Arduino pra ‘brincar’ é só fazer uma visita no site da Symphony e comprar um. O modelo que eu tenho aqui é o de 16K:
Update: Esqueci de agradecer ao Blog do Jê que é um dos “praticantes de Arduino” no Brasil e notíciou o lançamento da placa pela Symphony (que tornou a compra mais $acessível$)
Também vou me alugar com livros…
Postado por Osvaldo Santana
Já que tá todo mundo se alugando com seus livros lidos e não-lidos eu vou fazer igual. Afinal eu sou compulsivo por comprar e ler livros (muito mais comprar do que ler).

Aí estão alguns dos meus livros lidos e não-lidos.
Não acaba por aí… tem mais esses aqui:

Mais livros lidos & não-lidos.
E por último (no banheiro) o que eu estou lendo:

Na memória do eBook Reader da Sony tem uns 512MB de PDFs.
Porque a Web 2.0 não engrena no Brasil?
Postado por Osvaldo Santana
Hoje, durante a minha leitura matinal, eu esbarrei num post que me levou a outro que me levou a outro.
Um resumo muito rápido do conteúdo desses três posts seria: “Porque o Brasil não desenvolve sites Web 2.0? Porque as faculdades não preparam os estudantes.”
Mas eu gostaria de acrescentar algumas coisas a mais nessa equação: “Qualificação”, “Custo” e “Investimento”.
Eu nunca montei uma empresa de tecnologia no Vale do Silício então não tenho uma referência de como as coisas por lá funcionam em detalhes, mas estou no processo de abertura de empresa aqui no Brasil e tenho um projeto “Web” pra ser desenvolvido.
O meu projeto Web 2.0 não tem nada relacionado à mídia (TV, vídeo, som, música) mas para fins de ilustração vou fingir que a minha idéia seria de montar um site de mídia chamado SeuTubo!. Então vamos à história.
Sou um “mico”-empresário brasileiro típico: o que falta de dinheiro sobra de coragem (insanidade?). E vou atrás do que é necessário para desenvolver meu projeto. Até o momento eu só tenho um Plano de Negócios (Business Plan) que venho desenvolvendo a meses e que julgo estar bom.
Vou adiar ao máximo a abertura formal da empresa porque sei que isso gera muito trabalho que eu ainda não preciso ter. Então parto para desenvolver a aplicação. Eu não sou um técnico/programador/sysadmin perfeito mas, também para fins de ilustração, vou ser um super-homem-do-código.
Como as soluções de vídeo na Web já estão razoavelmente ‘comoditizadas’ eu começo a pescar os componentes da solução aqui e ali pra montar meu site… Uma pitada de Python, outra de PHP, uns MySQLs pra alegrar os amigos que trabalham na Sun, um pouquinho de Java pra indexar os dados, … estamos quase lá… falta só o componente central: o player do lado cliente que é feito em Flash.
Ummm… Google: “Free Flash vídeo player download”… nada… busca de outro jeito trocando “Free” por “Open”… nada também… mais procura… acho algumas coisas bem imaturas e que não estão em pleno desenvolvimento… é, não vale a pena arriscar o meu futuro negócio por essa economia. Hora de colocar a mão no bolso (vazio).
Eu não tenho dinheiro pra comprar nada. Então vamos à procura de um investidor… Onde? Cadê os investidores de risco no Brasil? Tem até um portal pra eles feito *pelo governo* mas a coisa não é tão simples assim (e levaria tempo que eu já não tenho tanto).
Bom… vendo meu carro e compro esses componentes de software. Que sorte! Eu tinha um carro pra me desfazer! Meu filho vai pra escola à pé… já tá na hora dele começar a fazer atividades físicas mesmo…
A tal ferramenta sai barato: $1000 (preço hipotético também). Viva o Brasil! O dólar agora tá uma merreca! E ainda sobrou uma grana da venda do carro…
Termino de desenvolver o meu software. Hora de buscar um lugar pra hospedá-lo. Vocês já viram os custos de infraestrutura de rede no Brasil? Como que minha empresa sobreviveria até ter lucro gastando uma fortuna com as Telecoms? Que negócio Web prospera num país que cobra os preços obcenos do Brasil por um link de 1MB?
E minha aplicação de vídeo? Vocês tem uma noção da quantidade de banda que consome? E se o site fizer sucesso… que bom, não? Não! Porque eu iria à falência antes que esse sucesso vire receita porque as belas-Telecoms iriam me estorquir.
Mas… Aí eu vejo que dá pra hospedar o meu negócio em um país cujas empresas e empresários pensam nas pessoas como eu: EUA. Contrato um serviço de “Cloud Computing” onde eu pago preços baixos sob demanda pelo uso de banda. E cruzo os dedos pro dólar não voltar a subir
Legal… meu site tá funcionando lá… já dá até pra abrir ele pro público. Mas espere! Agora que eu percebi isso… o visual do meu site está uma tosqueira só! Preciso ‘dar um tapa’ no visual dele e me certificar que ele está usável, afinal, usabilidade e visual são requisitos da Web 2.0, certo?
Vou atrás de empresas de design e usabilidade… Os caras sabem que eles são poucos e vão te cobrar fortunas pela ajuda. Eles estão certos. Lei básica do mercado: muita demanda + pouca oferta = preço alto.
Tento por outra via: achar um cara de design e/ou usabilidade (provavelmente recém-formado) para ser meu sócio (lembre-se que não tenho grana pra pagar salário, logo, todos os meus ‘funcionários’ precisam ser sócios). Eu tento, tento, tento e… lanço o site feio e pouco usável mesmo. Não acho alguém com esse perfil pra me ajudar (e isso já não é ilustração, é real :D).
Legal… o site está em funcionamento e mesmo feio/torto está fazendo sucesso. Já tem até um dinheirinho entrando! Massa! (em dólar… tenho até dó do meu futuro contador) Agora não dá mais pra esperar. Tenho que formalizar a empresa.
Voltando à vida real: de 20 a 30 dias entre o início do processo e a impressão das notas fiscais. Isso porque moro no Paraná (um dos estados onde a abertura de empresas acontece rapidamente).
Agora troquem o “mico”-empresário brasileiro da história acima pelo Chad Hurley e pelo Steve Chen e vejam se foi difícil assim montar o Youtube?
Será que eles morreram nos primeiros meses de funcionamento porque as fornecedoras de links deles os estorquiram? Será que eles tiveram (ou teriam) trabalho pra encontrar um Angel Investor no Vale do Silício para financiá-los no início? Será que ficou caro e/ou foi difícil achar um especialista em design/usabilidade pra fazer o site deles? E formalizar a empresa deles? Levou um mês?
Então é isso. Muito mais do que o problema da péssima formação dos estudantes do Brasil a dificuldade para se montar um site “Web 2.0″ passa por burocracia governamental, dificuldade de financiamento, infra-estrutura cara, entraves alfandegários/tecnológicos (ex. importar equipamentos não lançados no Brasil) e falta de visão empreendedora do brasileiro (brasileiro prefere ser funcionário).
Nesse cenário cheio de “pragas” é difícil de vingar uma lavoura. E quem resolve se aventurar nesse cenário, como eu, é tratado por louco pelos companheiros. E com razão.
Mais uma campanha…
Postado por Osvaldo Santana
Se essa moda pega isso aqui vai ter mais propaganda que a revista Playboy
Mas dessa vez a campanha pode me render algum prêmio e, caso você também resolva participar, algum prêmio pra você
Deixando a brincadeira de lado eu vou aproveitar para dizer para os leitores desse site que o que o Augusto faz ao doar dinheiro para projetos como o Wikipedia é demonstrar o reconhecimento pelo projeto. Não é só uma questão de dinheiro (que é importante e ajuda esses projetos) mas sim uma forma dos responsáveis por tais projetos medirem os resultados dos mesmos.
Comecei esse mês a reservar uma pequena quantia em dinheiro para doar para projetos que me beneficiam de alguma maneira. Desta forma eu escolho um desses projetos e envio uma doação (ainda pequena) para ele. É fácil, não custa muito e deixa os responsáveis por tais projetos muito felizes.
Agora vamos à campanha do Efetividade.net / BR-Linux:
Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!
…e também a pen drives, card drives, camisetas geeks, livros e mais! O BR-Linux e o Efetividade lançaram uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation e outros mantenedores de projetos que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não puder, veja as regras da promoção e participe - quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!
E não se esqueçam de escolher a Associação Python Brasil como uma das beneficiárias da doação. Como membro fundador da APyB eu garanto que lá estão os mais entusiasmados apoiadores da linguagem Python do Brasil e que esse dinheiro será usado em algum projeto interessante.
Que tipo de projeto? Organização da PyConBrasil, financiamento de projetos de tradução, suporte aos sites da comunidade Python e relacionadas no Brasil, ajuda financeira para construção de grupos regionais, financiamento de viagens de instrutores para ministrar cursos de Python, Django, Zope, Plone, … em regiões onde isso é artigo raro, etc.
Campanha: Divulguem a HP-12C do Epx :)
Postado por Osvaldo Santana
Pessoal,
O meu amigo Elvis (epx) desenvolveu um simulador de HP-12C muito legal e útil no site dele e pediu pra que eu o ajudasse a divulgar esse projeto dele.
Então eu cadastrei a página dele lá no Digg e no Rec6 , que é um tipo de “Digg brasileiro”, para que vocês votem. É fácil e rápido.
Sintam-se à vontade para divulgar no blog de vocês e onde mais vocês acharem interessante.
Esse post é diferente dos outros posts que eu costumo colocar por aqui mas vocês entendem que é por uma boa razão, certo? ![]()
PyConBrasil 2008 - Chamada de Trabalhos
Postado por Osvaldo Santana
Sabe aquele projeto bacana que você desenvolveu em Python? Sabe aquela biblioteca fantástica que você começou a usar? Sabe aquele site “Web 2.0″ que você desenvolveu no Google Apps? E aquele treinamento que você ministrou na sua escola?
Chegou a hora de você mostrar isso para toda a comunidade brasileira de desenvolvedores Python!
Estão abertas as inscrições de palestras e treinamentos para a PyConBrasil 2008 que, esse ano, irá acontecer na Universidade Veiga de Almeida no Rio de Janeiro entre os dias 18 e 20 de setembro.
O período para inscrições de palestras e treinamentos vai do dia 10 de junho até 13 de julho. O tempo é curto, por isso é melhor se apressar.
O processo é simples e sem custos: basta ir no site do evento e clicar em “Chamada de Trabalhos“. Lá você poderá cadastrar uma palestra com duração entre 30min e 1h, uma palestra-relâmpago (perfeita para demonstrar casos de uso de Python na sua empresa) com duração entre 5min e 20min ou um treinamento com duração entre 2h e 2 dias.
As palestras e treinamentos deverão falar de Python mas não precisam tratar de nenhum assunto específico.
Contamos com você no evento e com a sua ajuda na divulgação do mesmo. Conte para todos os seus amigos e colegas, divulgue em seu blog, coloque um banner no seu site, que esse evento é um dos melhores eventos técnicos que temos hoje no Brasil.
Cross-compiling fácil fácil
Postado por Osvaldo Santana
Como eu já contei no post anterior no meu novo trabalho a gente tem que lidar com cross-compiling (compilação cruzada) o tempo todo. A idéia da compilação cruzada é simples: você compila um programa P em uma plataforma A e o binário produzido deverá rodar em uma plataforma B.
O conceito é simples, o seu funcionamento na teoria também. Para compilar um típico programa Linux em um computador x86 para rodar na plataforma ARM bastaria ter o toolchain, que é o conjunto de ferramentas que engloba o binutils (onde fica o linker) o gcc (onde fica o compilador C/C++) e em algumas bibliotecas básicas já como binários ARM (a libc é uma delas).
O problema do ovo e da galinha dificulta um pouco a construção de um toolchain (você precisa compilar o compilador) mas não é incomum que esses toolchains já sejam distribuídos com a plataforma ‘alvo’, logo, esse problema não é muito grande.
Com cross-toolchain já instalado a teoria diz que bastariam os seguintes comandos (assumindo que a nossa plataforma alvo seja ARM) para compilar um programa:
$ ./configure --host=arm-linux $ make $ make install
Com algumas pequenas variações disso conseguiríamos fazer a compilação cruzada de ‘todo o Linux’, mas na prática a teoria não funciona…
O que acontece é que um grande percentual das aplicações (regra e não exceção) simplesmente ignora o fato de que no futuro elas serão submetidas à compilação cruzada e simplesmente não funcionam nessas circunstâncias.
O Python é um desses programas. O interpretador compila perfeitamente, mas as extensões em C da biblioteca padrão não. O problema é que o Python usa o módulo distutils para executar tal tarefa e o mesmo é feito em Python. Neste caso precisamos de um Python ARM para executar a segunda fase do processo de build. Como executar um Python ARM em uma máquina x86?
Uma das maneiras é compilar primeiro um interpretador Python x86, renomeá-lo para algo como ‘hostpython‘, depois compilar um interpretador Python para ARM e aplicar uns patches no Makefile.in do Python para que ele chame o ‘hostpython‘ para compilar as extensões C. Mas os efeitos colaterais dessa solução são enormes porque existem extensões que usam bibliotecas do sistema (OpenSSL, Socket, SQLite, …) e o distutils não irá procurá-las no lugar correto pois não sabe o que é compilação cruzada.
Aí então entra uma técnica de transparência de CPU que aprendi a fazer com a turma do projeto Scratchbox (aperfeiçoada pela turma do projeto Mamona) que é bem simples e permite fazer compilação cruzada sem modificar nada nas aplicações que estão sendo compiladas.
A idéia é usar o binfmt do Linux para dizer que todos os binários ARM deverão ser executados pelo qemu (pegadinha 1: esse qemu deve ser estático e estar instalado dentro do chroot no path definido nas configurações do binfmt) e criar um ambiente chroot com tais binários.
Dentro desse ambiente todos os binários ARM rodam com o qemu e todos os binários x86 rodam nativamente na sua plataforma (assumindo que ela é x86) sem que você sequer note a diferença entre o funcionamento deles. Desta forma podemos colocar então o nosso cross-toolchain dentro desse chroot fingindo ser um toolchain nativo ARM (tem uma pegadinha aqui: esse toolchain precisa ser estático e não dinâmico pois as bibliotecas nesse nosso ambiente são ARM e não mais x86).
Você está me perguntando “porque não compilar um toolchain nativo pra rodar dentro desse chroot“? Só por questão de velocidade. O gcc rodaria muito devagar sendo emulado pelo qemu.
Agora é só sair compilando os programas normalmente. Mesmo aqueles que não estão preparados para compilação cruzada:
$ ./configure $ make $ make install
Neste exato momento estou compilando o SQLite3 (após ter terminado o OpenSSL) dentro do ambiente chroot com binários ARM (XScale) que rodam emulados pelo qemu. Tudo isso para que no final eu tenha um Python com Pygame 100% funcional.
Ok. Agora é a hora das notícias ruins:
- O qemu não emula 100% das syscalls, logo, você poderá esbarrar com uma das famigeradas mensagens “Unsuported syscall XX“. Nestes casos verifique se já não existe um patch que implementa o suporte à essa syscall no qemu e recompile-o (lembrando que o qemu precisa ser estático).
- O qemu não lida muito bem com threads, logo, se os scripts de build do seu programa testam threads eles podem quebrar (ou bloquear). Neste caso a sugestão é: retire esses testes dos scripts e assuma que sua plataforma tem sim (ou não) suporte à threads.
- Lembre-se sempre que o kernel não é emulado pelo qemu! Se o seu programa usa ferramentas como o uname, por exemplo, ele irá retornar informações da sua plataforma nativa e não da plataforma emulada. Desenvolvimento para o kernel também não é muito viável.
- Pode acontecer da tua aplicação quebrar ’silenciosamente’. Lembre-se que pode ser o qemu quebrando e ocultando a real causa do problema. Nesses casos utilize as funções de depuração do qemu.
- Lembre-se de ter o /proc e o /sys montados dentro do seu chroot. Alguns programas usam as informações disponíveis nesse lugar para a sua construção. Lembre-se também que esse /proc e /sys são da sua plataforma nativa e não da plataforma emulada, logo, eles poderão fornecer informações incorretas.
- Dica: tenha a sua área de trabalho ($HOME) montada via mount –bind dentro de seu chroot para que você possa ter vários chroots compartilhando o mesmo $HOME.
Mais notícias do front
Postado por Osvaldo Santana
Como todos já devem saber eu não estou trabalhando mais no INdT. O que poucos devem saber é que já estou trabalhando em para outra empresa.
Quando saí do INdT o meu plano era o de encontrar um trabalho que não exigisse muito tempo para que eu pudesse levar adiante o desenvolvimento de um projeto pessoal que “me persegue” a muito tempo.
Queria também que fosse possível trabalhar em casa pois queria ver se eu conseguiria trabalhar direito nessas condições. Se teria a disciplina necessária para isso.
Esse novo trabalho me proporcionou tudo isso exceto pelo meio-expediente que ainda não foi possível colocar em prática. Espero que assim que terminar uma das tarefas grandes em que estou trabalhando o ritmo caia pela metade.
Tenho gostado bastante de trabalhar em casa e sinto falta apenas da famosa ‘pausa para o café/bate-papo com os amigos’. Quando essa vontade aperta eu dou um pulinho lá na Haxent e trabalho lá com eles (eles me emprestam uma mesa e conexão com a Internet ‘di grátis’.
Esse trabalho novo é muito semelhante ao que eu tinha no INdT e envolve muito cross-compiling, ambientes emulados e Linux igual no INdT.
Estou trabalhando no meu Mac que ainda está com o Leopard instalado (não cometi a heresia de instalar Linux/Windows num Macbook). Como eu virei usuário Mac por gosto e uso Linux por profissão comprei o VMWare Fusion que está rodando uma imagem com o Ubuntu 8.04. Ferramenta fantástica que valeu cada um dos dólares gastos.
Para concluir as notícias vou colocar aqui uma foto do meu escritório no INdT…
…e uma foto do meu escritório atual…
…. Estou melhor ou não estou?
Tudo ao mesmo tempo agora
Postado por Osvaldo Santana
Pra variar as coisas andaram paradas por aqui, não? É que muita coisa mudou desde o último post.
A maior mudança que aconteceu foi a minha saída do INdT. Pois é, eu sou doido mesmo afinal deixei de trabalhar no melhor lugar pra se trabalhar com tecnologia no país hoje. O que eu fazia lá era massa, o ambiente era massa, o suporte do INdT era massa, os amigos que fiz por lá foram muitos… então você me pergunta: “Porque você saiu?”.
Por uma série de pequenos motivos que vão desde “eu não gostei de Recife” até “o meu plano era de ficar lá só por um período” e passando por “eu já fiz as coisas que eu queria ter feito e era o momento de dar essa chance a outra pessoa” eu achei melhor voltar para Curitiba.
Saí de lá mas continuo admirando o trabalho que eles estão fazendo e torcendo para que eles consigam criar um modelo que possa ser copiado por mais empresas de tecnologia no país.
Com minha saída do INdT eu também me mudei pra Curitiba voltando para a cidade de onde saí. Estou provisoriamente na casa da sogra :P. Em junho, quando o contrato de locação dos meus inquilinos terminar, eu volto pra minha casa “oficial”.
Outra mudança legal que ocorreu foi a de que comprei um Macbook e estou usando o OS X. Sim, eu praticamente abandonei o Linux. Criei até o bordão de que agora eu “Odeio Linux!”
(mentira, óbvio).
Estou sofrendo pra me readaptar ao universo Apple. Readaptar porque eu já usei o MacOS 9 por anos seguidos nos PowerMacs 9100, 9500, 8100, etc. Naquela época o hardware era impressionante e o software horrível. Agora as coisas mudaram muito pra melhor. Por baixo da carinha bonita do OS X bate um coração Unix (BSD) e com isso eu tenho o melhor dos dois mundos: a praticidade de uma bela interface gráfica e um terminal com Vim e Python pra trabalhar
Também comprei outros tantos “brinquedinhos” eletrônicos pra mim tais como um N95 e um headset estéreo bluetooth também da Nokia entre outros que provavelmente serão alvos de algum review por aqui.
Detalhes maiores sobre as minhas últimas aventuras serão distribuídos no 9o. FISL em Porto Alegre entre os dias 17 e 19 de abril. Me esperem por lá.
Nota off-topic: Acabei de receber o livro Shell Script Profissional (site do livro) do meu amigo Aurélio. Ele me enviou de presente e com ele e mãos já deu pra perceber que a capa ficou show, o tamanho dele (480 páginas) dá uma cara de “obra definitiva” para o assunto e o acabamento e diagramação que a editora Novatec dá aos livros dela (que é padronizado) merecem vários elogios.









